Simplício Dias da Silva, o Namorador
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Com informações do livro "Simplício Dias da Silva - Seu Nascimento Até Sua Morte" do professor José Nelson de Carvalho Pires.
Simplício Dias da Silva nasceu em 2 de março de 1773. Filho do poderoso Domingos Dias da Silva, Simplício não teve uma infância comum, como a maioria dos meninos de sua idade.
Simplício era rico!
Muito rico!
Mesmo assim, gostava de algumas peraltices e de desafiar o pai. Virava e mexia, lá estava ele tomando banho de rio com os filhos dos escravizados de seu pai.
Mas essas brincadeiras típicas de criança não duraram muito. Simplício precisava se preparar para comandar um império que, um dia, seria seu.
Domingos não economizava. Trazia professores de outras localidades para preparar o filho para o mundo.
Simplício estudou português, inglês, francês, alemão e espanhol, além de dança e boas maneiras.
Pouco tempo depois, foi estudar em São Luís, no Maranhão.
Na atual capital maranhense, ficou conhecido como o filho do homem mais rico da Parnaíba. Essa fama de riqueza, anos mais tarde, na Europa, faria com que fosse conhecido como o Moço Rico do Brasil.
Mas isso é outra história!
A fama de rico abria muitas portas para o jovem parnaibano, mas também atraía pessoas invejosas e interesseiras.
Ele não estava nem um pouco preocupado!
Estudar mesmo foi o que ele menos fez em São Luís.
Gostava de festas, fazia corte às moças bonitas e já se mostrava um verdadeiro cavaleiro.
O bicho era gaboso!
Nas festas religiosas, não deixava ninguém arrematar nenhuma prenda. Arrematava tudo e saía oferecendo às moças que gostaria de conquistar.
E assim, de prenda em prenda, o moleque namorador da Parnaíba começou sua vida de aventuras amorosas.
Reza a lenda que, um belo dia, Simplício colocou os olhos grandes numa loira belíssima.
Já tinha distribuído todas as prendas que havia arrematado para as outras mulheres.
Mas Simplício só perdia para o jacaré no nado. Era queixudo e rico. Quem resistiria?
A loira não resistiu!
Dançaram por três longos dias.
Pense num cabra dançador!
Superava até o Mão Santa!
No terceiro dia, depois de não aguentar mais dançar, a loira montou em seu alazão, despediu-se de Simplício e desapareceu.
Simplício ficou atônito e apaixonado. Não via a hora de reencontrá-la.
Mas nenhum de seus amigos conhecia a tal loira.
Ficou intrigado!
Não tinha outra escolha. Precisava se lembrar do local onde estivera com a moça.
Resolveu caminhar.
Caminhou. E nada!
Caminhou...
Até que chegou ao local do encontro.
Não havia absolutamente nada, a não ser um cemitério.
Cemitério?
- Preciso de uma Brahma! - pensou.
Assim como apareceu, misteriosamente a loira sumiu.
Simplício voltou várias e várias vezes ao local.
Não encontrou nem a moça, nem nenhuma assombração.
Nunca mais a viu.
Procurou novamente os amigos. Mas nenhum deles fazia ideia do que Simplício estava falando.
Sentou-se na Praça João Lisboa e ficou por horas.
De repente, apareceu uma menina de uns doze anos:
- Seu moço, eu conheço quem você procura! - disse.
Simplício se animou. Fez até algo que não costumava fazer: deu um tostão para a menina.
- Me leve até ela agora que lhe dou outro tostão!
- Não posso. Ela pertencia a uma rica e importante família, mas morreu faz mais de dois anos. Eu era sua mucama!
Simplício se benzeu dez vezes.
- Valei-me, Nossa Senhora de Montserrat!
Simplício ficou desolado.
- Dancei três dias com uma defunta? Será? - pensava.
Mas logo já tinha esquecido a assombração e estava afogando as mágoas com outras garotas, que elogiavam sua maneira gentil e educada e o modo como eram tratadas por ele.
As peripécias de Simplício em São Luís terminaram quando ele tentou conquistar uma rica senhora da elite do Maranhão.
O romance, porém, não terminou em dança nem em leilões.
Terminou em sangue.
Euzébio, escravizado e homem de confiança de Simplício, tentou defendê-lo durante uma confusão. Foi baleado e acabou morrendo.
Dizem que, depois disso, Domingos, seu pai, mandou que ele retornasse para casa com urgência.
Pouco tempo depois, Simplício foi estudar em Portugal, onde aprontou poucas e boas. E foi lá que viveu uma de suas aventuras mais famosas: o suposto sequestro da dama de honra de D. Maria I, Maria Isabel Thomázia de Seixas, que já estava apalavrada para se casar com um tenente da Marinha Inglesa, também ligado à família Seixas.
Mas isso é outra história!


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