As Extravagâncias do Coronel da Vila de São João da Parnaíba
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Em 2 de março de 1773, nascia, em Parnaíba, Simplício Dias da Silva. Filho de Domingos Dias da Silva e Claudina Josefa, Simplício cresceu na Vila de São João da Parnaíba, usufruindo da enorme riqueza produzida por seu pai.
Estudou em São Luís e, posteriormente, na renomada Universidade de Coimbra, em Portugal, onde se formou em Direito.
Com a morte do pai, em 1793, Simplício - juntamente com seu meio-irmão, Raimundo Dias da Silva - herdou a grande fortuna da família e, apesar de sua extravagância, soube administrar e ampliar ainda mais o patrimônio herdado.
Durante sua estadia na Europa, Simplício Dias ficou conhecido como o moço rico do Brasil, tendo portas abertas na Corte portuguesa. Reza a tradição que participou com uma vultosa quantia da campanha promovida por D. Maria I, rainha de Portugal, mãe de D. João VI e avó de D. Pedro I, para a construção de um hospital em Lisboa destinado ao atendimento das vítimas de um grande terremoto que matou mais de dez mil pessoas e trouxe grande desolação à cidade.
Mas as extravagâncias de Simplício com a Corte portuguesa foram além.
Muito além.
Reza a lenda que Simplício Dias teria ofertado a D. Pedro I um cacho de bananas, em tamanho natural, feito de ouro maciço, com pedras preciosas incrustadas nas frutas.
O imperador era quase seu amigo de infância.
Eu, hein!
D. Pedro I era conhecido por aceitar de bom grado presentes e gostava ainda mais de ser bajulado, mesmo que fosse por seu quase amigo de infância, Simplício Dias.
E quem recusaria tamanho presente?
Mas, antes que os maldosos digam que Simplício era um baba-ovo da Corte, lembremo-nos de que D. Pedro I nutria admiração pelo parnaibano e pela Vila de São João da Parnaíba, que homenageou com o título honorífico de “Metrópole das Províncias do Norte”, em agradecimento ao primeiro grito de Independência do Brasil, proclamado em 19 de outubro de 1822.
Estão pensando o quê?
Em outro episódio de pura generosidade, Simplício se colocou à disposição para revestir o piso de uma enorme sala do solar da Corte com moedas de ouro portuguesas.
A princípio, o príncipe gostou da ideia.
Quem não gostaria?
Depois de refletir, mudou de ideia: não queria que as pessoas pisassem no brasão português ao caminhar pela sala.
Sabendo da grande admiração que Simplício Dias nutria por ele, o príncipe fez uma proposta:
- Vosmecê poderia colocar todas as moedas em pé. Assim, evitaria que as pessoas pisassem no nosso brasão!
- Em contrapartida, lhe conferirei o título honorífico de Dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro! - completou o príncipe.
- Lascou! Isso vai me custar milhares de cabeças de gado, uma fortuna! - pensou Simplício.
Como bom brasileiro e parnaibano, Simplício mudou o rumo da conversa e começou a falar do Delta do Parnaíiiiiiiiba, da Lagoa do Portinho e de sua amada Maria Izabel Thomázia.
- Esse príncipe pensa que achei minhas moedas de ouro na Calçada Alta? - disse baixinho.
Quase duzentos anos depois, Mão Santa, outro parnaibano da gema, em cada discurso que fazia, parafraseava Simplício Dias.
Até o saudoso Jô Soares sofreu com a ladainha!
Enfim...
O certo é que, mesmo por vias tortuosas, Simplício Dias era pessoa de “casa” nos corredores da Corte. Dona Maria I era tão afeita ao moço rico do Brasil que nem se importou quando este “roubou” sua dama de honra e a transformou em sua esposa.
Cabra bom!
Por mais que a amizade de infância entre D. Pedro I e Simplício Dias da Silva tenha sofrido tribulações, Simplício não arredou pé e lutou com unhas, dentes e parte de sua fortuna para proclamar a Independência do Brasil em solo piauiense e apoiá-lo em outras querelas.
Amizade de infância é assim mesmo!
E assim, Simplício Dias da Silva mostrou ao mundo uma coisa que Parnaíba já conhecia: que ser rico e ter trato com reis e rainhas não faz ninguém esquecer de onde veio.
Ele agradava!
Bajulava!
Dava presentes!
Abria os cofres!
Mas nunca abaixou a cabeça.
Por isso, seu nome ficou gravado no coração dessa terra e de seu povo.


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