O Velho Rei Está Nu

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📷Imagem ilustrativa © Reprodução
🏠Parnaíba (PI)

Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.

Esta é uma obra de ficção. Personagens, nomes, situações, lugares e acontecimentos foram criados ou adaptados livremente pelo autor, sem a intenção de retratar pessoas ou fatos reais. Qualquer semelhança com pessoas, políticos, autoridades, michês, madames ou acontecimentos da vida real é mera coincidência.

A poucos dias da eleição na Metrópole das Províncias do Norte, a guerra continua ferrenha e promete ser das mais disputadas. Os súditos da Princesa e do Príncipe se digladiam. Ofensas, xingamentos, agressões fortuitas e zombarias tomaram conta da Urbe.

Ninguém está a salvo.

Em disputa, o controle da grande Metrópole e de parte das cidades-reais, hoje controladas por um inimigo histórico da Princesa e de toda a sua família real.

Ardilosamente, a Princesa percebeu que não conseguiria enfrentar e vencer o Príncipe, que se aliou ao seu inimigo-mor.

- Foi golpe baixo! - disse, destilando ódio, um dos súditos da Princesa.

Mas a Princesa aprendeu com o velho Rei todas as artimanhas. Além disso, tem como livro de cabeceira A Arte da Guerra, escrita pelo general chinês Sun Tzu.

Ela conhece as manhas.

Depois de muito matutar com seus súditos de primeiro escalão, a Princesa resolveu jogar o jogo do Príncipe e pediu penico ao inimigo-mor.

No intuito de agradar ao antigo inimigo - hoje aliado -, a Princesa abriu as portas do castelo do velho Rei, com a conivência da Rainha.

O velho Rei nada pôde fazer quando viu seu arqui-inimigo adentrar a sala de reuniões de seu castelo.

Pensou em reagir.

Mas já não tinha as forças de outros tempos, quando lutou ferozmente durante duas décadas contra o inimigo.

A Rainha o acalentou, tentando acalmar seu coração e seu espírito.

- Desculpe, meu senhor, mas a guerra está perdida. É hora de amenizar os prejuízos.

O velho Rei ainda balbuciou algumas palavras, sem a força e a ferocidade de outros tempos.

Nada mais podia ser feito.

O inimigo-mor do Rei se esbaldou nas dependências do castelo. Comeu, bebeu e ainda trouxe aliados que não haviam sido convidados pela Princesa.

Ninguém teve coragem de dizer um “ai” contra a invasão.

Muitos súditos que morrem de ódio pelo inimigo-mor foram obrigados a reverenciar o novo aliado, sob pena de perder seus soldos.

A discussão ganhou as ruas e as tavernas.

Um dos súditos, que já foi apoiador da Princesa e que, para garantir o soldo, traiu-a e passou a apoiar o Príncipe, destila ódio contra a princesa por onde passa.

Outros chamam o Príncipe de cachorro traidor, pois, não fosse a Princesa, ele talvez ainda estivesse levantando cercas pela grande Metrópole.

Quem vencerá e quem perderá ainda é uma incógnita.

A única certeza é que o inimigo-mor do velho Rei está com as burras na sombra, surfando na onda de mais uma vitória em uma guerra que trava sem adversários.

O Príncipe precisa sair forte dessa disputa, pois, mais adiante, terá que enfrentar a Princesa pelo controle da Metrópole.

Já a Princesa precisa se manter onde está. Perder esse status quo pode significar correr o risco de chegar enfraquecida à guerra contra o Príncipe, que se avizinha.

Já para o velho Rei - dominado pela Rainha e pela Princesa - pouca coisa resta.

Pois todos sabem:

O velho Rei está nu.



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