A Estátua da Mulher do Pote
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| 📸Estátua da Mulher do Pote © Walter Fontenele |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Parnaíba cresceu ladeada por belíssimos casarões de arquitetura europeia. O Centro Histórico é um museu a céu aberto que respira história e cultura. Mas, diferente de outras cidades do Nordeste, Parnaíba possui pouquíssimas estátuas nessa região: a Mulher do Pote e, mais recentemente, a de Simplício Dias da Silva são as exceções.
A estátua da Mulher do Pote, localizada na Praça Constantino Correia, traz-me boas recordações: dos passeios de bicicleta que fazia com meu pai no final da década de 1970 e das conversas com amigos que moravam ali perto, nas proximidades do extinto Hotel Carneiro.
Sabe-se que a peça foi esculpida em Nova Jerusalém, Pernambuco, em 1973, pelo artesão José Felix. Aparece no filme A Noite do Espantalho, dirigido por Sérgio Ricardo, e foi posteriormente doada ao parnaibano João Paulo dos Reis Velloso, Ministro do Planejamento do governo do presidente Ernesto Geisel.
O presente veio para Parnaíba e, em 23 de julho de 1977, foi inaugurada na praça que, com o tempo, passou a ser conhecida como Praça da Mulher do Pote.
A simbologia da obra remete às mulheres nordestinas que percorriam longas distâncias em busca de água. Deslocar-se ao rio para lavar roupas ou buscar água foi realidade em Parnaíba até meados de 1964, quando teve início a implantação da rede de abastecimento.
Naqueles tempos, era comum homens e mulheres irem ao rio buscar água para o uso diário das próprias casas e até para vender a outras famílias. Os homens - conhecidos como aguadeiros - usavam animais carregando dois grandes potes de madeira atrelados à cangalha.
As mulheres, por sua vez, carregavam potes, geralmente de barro, que equilibravam habilmente na cabeça, com o auxílio de uma rodilha feita de pano.
Após décadas fora, retorno a Parnaíba e vejo que boa parte de nossa história secular foi destruída pelo tempo; outras construções foram simplesmente demolidas para dar lugar a prédios modernos, e muitas outras têm os dias contados.
A Mulher do Pote, porém, sobrevive escondida entre as árvores da praça, com a cabeça já bastante descaracterizada - pela ação do tempo e por falta de cuidados.
Apesar do descaso, continua ali, silenciosa, como tantas mulheres que um dia caminharam pelas ruas de Parnaíba carregando água na cabeça. Só que agora é ela quem parece pedir não água, mas cuidados para recuperar um pouco a sua jovialidade que o tempo lhe tirou.


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