A Morte do Filho de Simplício Dias da Silva
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Com informações do artigo “Tragédias na Família de Simplício Dias”, de Adrião Neto, publicado no Recanto das Letras.
Esta crônica mistura história, memória, tradição oral e o velho “diz-que-me-diz”. Há também anacronismos fictícios e situações inventadas como recurso literário. Algumas passagens vêm de documentos e relatos; outras, da imaginação ou de histórias que chegaram até nós em diferentes versões. Portanto, o leitor encontrará aqui uma mistura de História e ficção, sem a pretensão de apresentar tudo como fato comprovado.
Simplício Dias da Silva – ao longo de sua vida – conviveu com poder, riqueza e também com tragédias, financeiras e familiares.
Em sua luta pela proclamação da Independência do Brasil em solo piauiense, fato ocorrido em 19 de outubro de 1822, perdeu boa parte de sua fortuna quando João José da Cunha Fidié invadiu a Vila e realizou saques e destruições.
Por outro lado, sofreu com a morte violenta de três membros de sua família: seu meio-irmão, Raimundo Dias da Silva (11 de abril de 1812), e seu filho, Antônio Raimundo Dias de Seixas e Silva (28 de outubro de 1842), foram assassinados a golpes de faca. Sua filha, Carolina Thomázia Dias de Seixas e Miranda (27 de agosto de 1850), foi assassinada a tiros em sua fazenda na Barra do Longá, município de Buriti dos Lopes.
De todos esses assassinatos, apenas a morte do meio-irmão não ficou envolta em mistérios quanto à autoria do crime. Os outros dois – Antônio Raimundo e Carolina Thomázia – permanecem cercados de dúvidas até os dias atuais. No caso de Carolina Thomázia, chegou-se a apontar como suspeito o escravizado Aleixo, que, supostamente, acabou morrendo na forca.
Mas, nesta crônica, iremos tratar apenas dos pormenores do assassinato de Antônio Raimundo.
Antônio Raimundo Dias de Seixas e Silva, 38 anos, era tenente-coronel respeitado na Vila de São João da Parnaíba e costumava se reunir com amigos e correligionários para jogar cartas.
Na noite de 28 de outubro de 1842, dirigiu-se à residência de João Álvares de Sousa para participar de uma partida de “voltarete”, antigo jogo de cartas de origem espanhola, com José Gomes de Araújo, José Antônio Marques e o anfitrião.
Tudo transcorria como sempre:
Cartas distribuídas!
Cartas na mesa!
E apostas feitas...
Mas a paz e a serenidade não duraram muito!
Lá pelas tantas da noite, a Vila de São João da Parnaíba ficou às escuras. Todos os lampiões haviam se apagado.
O breu tomou conta de tudo!
Só se viam as petecas dos olhos!
E foi exatamente durante esse apagão que três elementos encapuzados adentraram a residência. Um deles aplicou oito facadas em Antônio Raimundo.
Os outros companheiros de carteado nada sofreram.
Antônio Raimundo Dias de Seixas e Silva estava morto!
Tão rápido quanto chegaram, os encapuzados desapareceram.
Nem pista dos assassinos, e muito menos da motivação para o crime!
O tempo passou...
Até que uma denúncia envolvendo o assassinato foi publicada no dia 10 de dezembro daquele ano no jornal “O Publicador Maranhense”, de São Luís, no Maranhão.
Segundo a publicação, um suposto “inimigo do assassino” teria delatado que o crime havia sido encomendado pelo coronel José Francisco de Miranda, cunhado da vítima e marido de Carolina Thomázia Dias de Seixas e Miranda.
O mais impressionante de toda essa história é que, oito anos depois, o nome de José Francisco de Miranda apareceria novamente como suposto mandante de outro assassinato: o de sua própria esposa, Carolina Thomázia.
À época, nada foi provado contra ele. E outro suspeito acabou pagando com a própria vida pelo crime.
Mas o diz-que-me-diz não parou com a publicação da denúncia.
Simplício Dias de Seixas e Silva, irmão da vítima, continuou defendendo a honra da família e denunciando as artimanhas do cunhado, a quem chamou de “esbirro de polícia”, expressão usada para desqualificá-lo.
E foi além...
Afirmou que o Capitão Miranda pertencia à Guarda Nacional e tinha parentesco com o então presidente da Câmara e Intendente da Vila, José Francisco de Miranda Osório.
O caldo engrossou!
O clima de ódio e rancor perdurou na Vila de São João da Parnaíba.
Mas não passou disso.
Nenhum dos três encapuzados foi identificado!
Nada foi provado contra o cunhado!
E, com o passar do tempo, o caso acabou entrando para a história como um daqueles crimes sem solução, suspeitas sem provas e segredos que ninguém conseguiu desvendar.


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