Como o PCC montou um império que atravessa a Faria Lima e chega até as pesquisas eleitorais
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📷Imagem Ilustrativa © Reprodução |
Durante muito tempo, o brasileiro acreditou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) era apenas uma facção de presídio, envolvida com drogas e pequenos crimes. Mas a cada revelação, fica mais claro: o que eles montaram é uma organização econômica, com tentáculos que vão dos portos até o coração financeiro do país. E talvez muito além disso.
O nascimento da engrenagem:
Nos anos 1990, depois do massacre do Carandiru, o PCC se organizou dentro das prisões, criando disciplina, hierarquia e caixa próprio. O tráfico foi a base da receita. Mas será que já naquele tempo eles planejavam ir além? Estariam os pequenos comércios de fachada - lava rápidos, bares, transportes - apenas o primeiro passo para algo muito maior?
A expansão silenciosa:
Nos anos 2000, o Brasil se tornou rota global da cocaína. O PCC percebeu o óbvio: sem logística, não há poder. Tomaram espaço em portos estratégicos como Santos e Paranaguá. Investiram em empresas de transporte e caminhões de combustível. Mas por que um grupo criminoso teria tanto interesse em caminhões-tanque e postos de combustíveis? Não seria porque esses setores movimentam milhões em dinheiro vivo, difíceis de rastrear?
O agronegócio e a energia:
Logo vieram as fazendas de cana-de-açúcar e usinas de etanol. O setor é perfeito: alto volume, liquidez rápida, notas fiscais justificando o fluxo. Será que as terras e as usinas eram apenas investimento… ou um passo para controlar toda a cadeia de energia e combustível no Brasil? E as queimadas em São Paulo? Teriam sido apenas acidentes ambientais, ou uma estratégia de pressão para retirar proprietários e forçar a venda de terras a preço de banana? Se o PCC já domina caminhões, combustíveis e usinas, por que não avançaria também sobre o campo? E por que, até hoje, nenhuma investigação chega a uma conclusão definitiva? Coincidência ou silêncio conveniente?
A modernização digital:
Chega a década de 2010: o dinheiro migra para o mundo digital. O PCC migra junto. Criam fintechs de fachada, usam bancos digitais, pulverizam transações em milhares de micro pagamentos, transformam dinheiro sujo em capital limpo. Aqui surge a grande pergunta: quem abriu a porta para isso? Quantos gestores, quantos operadores fecharam os olhos, porque no fim o capital, uma vez na conta, “não tem cheiro”?
O encontro com a Faria Lima:
É nesse ponto que o crime encontra a elite financeira. Os gestores da Faria Lima querem liquidez, o PCC quer respeitabilidade. E quando esses dois mundos se encontram, quem perde é o país. Será que parte da elite financeira não percebeu a origem do dinheiro… ou preferiu não perceber?
O enigma das pesquisas:
Se o PCC já domina a economia paralela, por que não buscaria também moldar a opinião pública? A Quest, instituto que desde 2023 publicou mais de 15 pesquisas sempre favoráveis ao PT, entra nesse cenário. Coincidência ou estratégia? Quem financia pesquisas em larga escala, sempre divulgadas em momentos politicamente oportunos? Será apenas metodologia… ou parte de uma engrenagem maior que une política, facção e mercado financeiro? E a pergunta que ecoa: se o crime já controla rotas, caminhões, fazendas e fintechs, será que também não pode controlar narrativas?
O hoje: o crime como corporação:
Agora, não se trata mais de uma facção criminosa, mas de um conglomerado corporativo paralelo: drogas, portos, caminhões, combustíveis, agronegócio, fintechs e até influência direta e ativa na política inclusive via pesquisas. Tudo integrado. Será que ainda podemos dizer que existe separação entre o “mundo oficial” e o “mundo do crime”? Ou o Brasil já vive sob um sistema misto, onde o dinheiro criminoso circula livremente pelas mesmas mesas que decidem o destino da economia nacional?
Por Arlete Caetano Santana
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