O Sequestro de Maria Isabel Thomázia de Seixas
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Com informações do livro "Simplício Dias da Silva - Seu Nascimento Até Sua Morte" do professor José Nelson de Carvalho Pires.
Após a confusão com uma rica senhora da elite maranhense - que culminou com o assassinato de Euzébio, seu escravizado de confiança -, Simplício Dias da Silva retornou a Parnaíba, atendendo a um chamado de Domingos Dias da Silva, seu pai.
Mas nosso herói não demorou muito em sua terra natal. Domingos estava possesso com as atitudes do filho. Não perdeu tempo. Mandou preparar o navio São Domingos, que partiu para Portugal, com Simplício Dias a bordo.
Simplício foi enviado aos cuidados da Corte Portuguesa, com a solicitação de que, o quanto antes, ele fosse matriculado na Universidade de Coimbra, para estudar Direito.
A primeira impressão causada por aquele parnaibano de baixa estatura não foi das melhores, mas Simplício fez questão de cumprimentar a todos em vários idiomas. Além disso, demonstrava uma postura refinada, de um verdadeiro cavaleiro, deixando os portugueses impressionados.
Todavia, a receptividade junto aos seus novos colegas de universidade foi decepcionante. Simplício chegava à universidade em uma carruagem especial e acompanhado de uma ruma de escravizados, que haviam viajado com ele para Portugal.
O clima azedou!
Simplício bem que tentou - usando sua fortuna - se enturmar.
Não funcionou!
Não suportando a pressão e a rejeição, abandonou os estudos na universidade.
Os portugueses enviaram uma notificação a Domingos Dias, alegando que o jovem parnaibano não tinha inclinação para as letras, e sim para as armas.
Mais uma decepção!
Mas Domingos Dias resolveu que era melhor deixá-lo em Portugal, convivendo com a Corte e viajando pela Europa para, de alguma forma, se preparar para assumir os negócios após a sua morte.
E foi exatamente o que Simplício fez.
Ganhou a amizade de D. Pedro e da Rainha Dona Maria I.
Fez doações para obras filantrópicas.
Recebeu título de nobreza.
Na França, foi um dos últimos que viu Luís XVI com a cabeça no pescoço!
Ainda na França, conheceu o local onde Joana D'Arc foi queimada viva.
Era um verdadeiro cosmopolita!
Nas festas nababescas, era convidado de honra.
E foi exatamente numa festa promovida pela Corte Portuguesa que o já “Moço Rico do Brasil” conheceu Maria Isabel Thomázia de Seixas, açafata de Dona Maria I.
Foi amor à primeira vista!
Simplício, queixudo como era, foi logo se chegando, mas foi avisado de que a dama já estava apalavrada para se casar com um tenente da Marinha Inglesa, membro da família Seixas.
- E daí! - pensou.
Um belo dia, Simplício e Maria Isabel estavam num pé de ouvido, quando chega o corno, digo, o tenente inglês.
O caldo entornou!
Simplício levou um empurrão no peito!
Revidou!
Se engalfinharam!
Mas Maria Isabel interveio e ficou ao lado de Simplício. O inglês espumou de ódio e prometeu colocá-la num convento.
- Se não fica comigo, não fica com mais ninguém! - disse.
Arre égua! Já tinha isso naquela época?
Eu, hein!
O tenente - exímio espadachim - desafiou Simplício para um duelo, imediatamente aceito pelo herói da Parnaíba.
A realeza soube do entrevero. Não queria correr o risco de perder o dinheiro gentilmente doado pela família rica do Brasil.
Puniram os dois, mas nada de duelo!
Com a morte do pai, em 1793, Simplício - já em solo piauiense - bolou um plano para retornar a Portugal e trazer Maria Isabel consigo, para que os dois se casassem no Brasil.
Junto com o meio-irmão, Raimundo, preparou o navio São Domingos e organizou um pequeno exército de escravizados para enfrentar os Seixas.
Atenção, Netflix! Isso daria um belo filme!
A empreitada foi um sucesso. Simplício resgatou sua amada das mãos tiranas dos Seixas.
Mas não poderia trazê-la de imediato à Vila de São João da Parnaíba. A residência dos Dias da Silva não estava à altura de uma dama da corte europeia. Deixou-a em São Luís até que as obras da Casa Grande fossem concluídas.
Vieram trabalhadores da Inglaterra e da França!
Louças inglesas e francesas.
Mobiliário digno de um Rei e de sua Rainha.
Até um coche fabricado na França foi comprado para transportar o casal ao chegar à Vila de São João da Parnaíba.
Nem a criadagem escapou. Todos receberam roupas de gala.
Já em Parnaíba, subiram no coche e seguiram direto para a Igreja de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, para assistir a uma missa de ação de graças.
A sua banda musical - composta por escravizados que estudaram no Rio de Janeiro e na Europa - tocava canções patrióticas.
O povo vibrava de alegria!
Os sinos repicavam!
Fogos de artifício pipocavam!
Pow, pow, pow!
Já na Casa Grande, Maria Isabel passou em revista toda a criadagem e conheceu todas as dependências de seu novo lar.
Tudo transpirava luxo e poder.
Mas, no fundo, a Rainha de Simplício percebeu que tudo aquilo estava longe de ser um palácio real. Pensou:
- Onde eu fui amarrar meu burro!
Agora já era tarde.


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