A Madame, os Michês e a Republiqueta

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📷Imagem ilustrativa © Reprodução
🏠Parnaíba (PI)

Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.

Esta é uma obra de ficção. Personagens, nomes, situações, lugares e acontecimentos foram criados ou adaptados livremente pelo autor, sem a intenção de retratar pessoas ou fatos reais. Qualquer semelhança com pessoas, políticos, autoridades, michês, madames ou acontecimentos da vida real é mera coincidência.

Vozes de desespero foram ouvidas na cidade mais importante da Republiqueta de Bananas, localizada na América do Sul.

- A casa caiu, a casa caiu, a casa caiu...

O desespero tomou conta dos michês e dos clientes da então toda-poderosa Casa da Madame Carmelita, no início de uma semana decisiva e que promete ser agitada.

O michê-mor cambaleia no centro do maior escândalo que a Casa já viveu. Na verdade, a Casa da Madame Carmelita nunca viveu dias tão turbulentos. Sempre foi blindada pelos clientes, todos envolvidos em escândalos iguais ou piores aos que envolvem Carmelita e seus michês.

A blindagem sempre funcionou na base dos dossiês e das chantagens: os michês sabem coisas dos clientes e os clientes sabem coisas dos michês. Se todos são salafrários, melhor jogar os podres para debaixo do tapete. Tapete persa, diga-se de passagem!

Quem teria peito e poder para ir contra? Ninguém seria louco de enfrentar a fúria do michê-mor!

Deusulivre!

- Prefiro uma boa morte! - disse um dos associados da Casa de Carmelita, que o único direito que tem é pagar a conta da esbórnia.

- Só se eu fosse louco! - disparou outro.

Mas os detratores de Madame Carmelita e seus michês veem uma luz no fim do túnel. Alguns - que eu chamaria de inocentes - acham que, finalmente, chegou o dia da vingança dos irrelevantes pagadores das contas.

O chefe-mor da Casa – que não é a Carmelita - pensa que tem o poder de resolver a questão, mas o pobre lacaio é apenas um refém dos famigerados michês.

Os michês - que antes sorriam da cara de todos - sentiram o baque, e já se nota uma certa preocupação com o desenrolar da semana.

Nesse exato momento, os ratos, digo, os michês envolvidos no escândalo estão maquinando o que podem usar para chantagear uns aos outros.

Por mais incrível que possa parecer, uma parte dos pagadores das contas da Casa de Carmelita está, neste exato momento, fazendo de tudo para encontrar justificativas para a passada de pano.

Alguns estão decorando a cartilha há dias!

É preciso que o discurso seja uníssono!

- O michê-mor salvou a Republiqueta dos inimigos externos! - grita Lindo, o comedor de farinha!

- Se não fosse o michê-mor, já seríamos iguais à republiqueta aí do lado, saqueada pelos imperialistas! - esbravejou, de punhos cerrados, a Loira Falsa, que nem a cor do cabelo é natural.

O certo é que precisamos esperar o desenrolar dos acontecimentos. Carmelita convocou uma reunião para colocar tudo debaixo do tapete, digo, para resolver as coisas da melhor forma possível e manter a integridade da Republiqueta.

Eu acredito!

A princípio, a reunião seria aberta a alguns clientes que possuem o dom da escrita, apesar de só escreverem aquilo que o michê-mor autoriza.

A bagunça está formada!

Ninguém é de ninguém!

Só resta a nós, pagadores das contas, esperar para assistir aos próximos capítulos. Apesar de eu ser adepto do velho ditado popular:

“Cachorro mordido de cobra tem medo de salsicha.”

Eu já vi esse filme!



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