O Espírita Tem Medo da Morte?

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📷Imagem ilustrativa © Reprodução
🏠Parnaíba (PI)

Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.

Há alguns anos, após ministrar uma palestra no Centro Espírita Humberto de Campos, em Parnaíba, litoral do Piauí, fui surpreendido com um questionamento de um senhor que estava na plateia:

- O espírita tem medo da morte?

Confesso que a pergunta me pegou desprevenido, já que a morte - ou desencarne, como nós, espíritas, chamamos - não era o tema principal da explanação. De qualquer forma, não o deixei sem resposta:

- Sim. Ter medo da morte é um sentimento intrínseco dos seres humanos.

Ao chegar em casa, aquela rápida conversa não me saiu mais da cabeça e comecei a esboçar um estudo mais aprofundado para, quem sabe, ser tema de uma próxima palestra.

Com o passar do tempo e com os compromissos da faculdade, minhas participações no Centro Espírita Humberto de Campos diminuíram consideravelmente e acabei nunca ministrando sobre o tema.

Uma pena!

Mas a pergunta - por mais inocente que fosse - sempre martelava minha mente, e eu não tinha uma resposta definitiva, já que o tema abre vários vieses filosóficos.

Então, eu mesmo comecei a me questionar:

- Se acreditamos que a morte não é o fim, que o espírito sobrevive e que a vida continua em outro plano, por que deveríamos temer a morte?

O lógico seria nós, espíritas, não temermos a morte.

Não é uma questão simples, ao ponto de termos apenas duas respostas: sim ou não.

Antes de espíritas, somos seres humanos e, por mais espiritualizados que sejamos, ainda somos apegados à matéria, à família, aos amigos, ao trabalho, à casa, à nossa vida...

A questão se torna ainda mais complicada quando entendemos que o Espiritismo não se fundamenta em dogmas e verdades absolutas. É uma doutrina de caráter filosófico, científico e moral, que busca compreender, entre outras coisas, a relação entre o mundo material e o mundo espiritual.

Eu acredito, do fundo d’alma, que a vida encarnada é apenas uma breve passagem que usamos para aprendermos, para evoluirmos, para sermos melhores como seres humanos. Numa analogia simples: as vidas que vivemos são etapas de uma escola universal, de uma academia que nunca tem fim. Nascemos, morremos, renascemos e nunca paramos de buscar conhecimentos.

A morte do corpo físico é absolutamente natural, orgânico. A matéria cumpre seu ciclo, enquanto o Espírito continua sua caminhada.

Talvez o mais assustador para o ser humano - independentemente de sua crença - seja o caminho que ele fará até chegar ao dia da partida do corpo físico, da morte:

Haverá dor?

Será que aqueles que ficam conseguirão seguir em frente?

Como ficarão os entes queridos?

E os assuntos que ficarão pelo caminho, quem resolverá?

Talvez o espírita não tenha exatamente medo da morte. Talvez tenha medo é de morrer.

Todos sabemos que um dia iremos morrer.

Só não gostamos muito de pensar nisso. Preferimos encarar a morte como algo distante de nossas realidades e uma possibilidade reservada aos outros.

Temos planos, lembranças, afetos, algumas coisas por fazer e outras tantas que provavelmente nunca faremos. Temos pessoas que gostaríamos de continuar encontrando, conversando e até discutindo por coisas que, depois de alguns minutos, já nem fazem mais sentido.

Até que um dia ela bate à nossa porta.

Se hoje aquele mesmo senhor, ou outra pessoa, me fizesse a mesma pergunta, a resposta continuaria a mesma:

- Sim, nós, espíritas, temos medo da morte.

Um dia todos morreremos. Só não devemos ter nenhuma pressa.



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