O Barulho da Política e o Silêncio do Pontal

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📷Imagem ilustrativa © Reprodução
🏠Parnaíba (PI)

Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.

Antigamente, existiam espaços temporais bem definidos para o início de uma campanha política. É o que Palmeiras e Heredia (1995) classificaram como "tempo da política", que, na verdade, era o período em que os ânimos se exaltavam, chegando ao ponto de irmão desconhecer irmão. Passada a eleição, a vida voltava ao normal: irmãos e amigos se reconciliavam e viviam em harmonia até o próximo tempo da política. Não estamos falando aqui do período definido pela legislação para o início da campanha, mas de um tempo orgânico, estabelecido pelos próprios atores sociais envolvidos.

Só que esse tempo acabou. Hoje em dia, termina uma eleição, mas não termina a politicagem, seja dentro dos plenários, na vida social ou, principalmente, nas redes sociais.

- Seu candidato é um traidor. Judas! - esbraveja um militante.

- Sua candidata só sabe perseguir os mais pobres! - retruca outro.

- Seu filho disso!

- Seu filho daquilo!

- Tu tem muito é chifre! - responde outro militante, já perdendo a compostura.

- Meu advogado está vendo tudo isso! - ameaça o corno ofendido.

- #@!%&$!

- @#$%!

E, nesse vendaval de despautérios, eles vão vivendo.

Alguns, apenas sobrevivendo.

A política partidária - essa que eu acho abjeta - é diferente do futebol. Um torcedor dificilmente abandona seu time para torcer pelo rival. Na política, porém, tudo muda ao sabor dos ventos. O hoje militante do "Judas" pode, amanhã, como num passe de mágica, pular para o barco da "perseguidora dos pobres", e vice-versa.

Já presenciamos isso centenas de milhares de vezes.

Os motivos para esse processo orgânico são variados:

- Ele - ou ela - me traiu, esqueceu de mim - desabafa um militante que mudou de lado.

- Ele - ou ela - prometeu uma portaria para minha rapariga - resmunga outro.

Faz parte.

Nesses dias, interpelaram-me na Praça da Graça sobre o motivo de eu não me envolver, nem mesmo escrever mais sobre política.

- Não sinto necessidade - respondi.

É exatamente nessa paz de espírito que me encontro hoje.

Não faço a mínima ideia se sairei de casa no dia desta ou de outras eleições para participar de um processo carcomido, corrupto e de cartas marcadas.

Melhor ir para o Pontal, levar minha cervejinha, meus apetrechos de pesca e fazer uma Piracaia.

Por que não?

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