Idas e vindas de uma Parnaíba em Transformação

Casarão histórico de Parnaíba
📷Casarão histórico de Parnaíba © Walter Fontenele
🏠Parnaíba (PI)

Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.

Em novembro de 1983, larguei a vida tranquila e pacata de Parnaíba para tentar “ganhar a vida”, como dizia meu velho pai, em outras paragens e segui viagem para o Norte do país, mais precisamente o estado do Pará.

Depois de pouco mais de um mês em Belém peguei um voo da Vasp e fui me aventurar em Santarém, a Pérola do Tapajós, cidade onde já residia um dos meus irmãos, que trabalhava como gerente de aeroporto da própria Vasp.

Em janeiro de 1984, eu já era funcionário do extinto Banco Real, ocupando o cargo de escriturário e recebendo o salário mensal de CR$ 85.000 (oitenta e cinco mil cruzeiros). Naquela época, fiz testes para o Real e para outro banco que também desapareceu do cenário nacional: o Banco Econômico. Acabei optando pelo Real, pois o gerente da agência, o senhor Reis, era natural de Teresina. Coisa de conterrâneo.

Em 1985, tirei minhas primeiras férias e rumei para Parnaíba. Assim fiz durante todos os anos em que trabalhei no Banco Real, tanto em Santarém quanto em São Luís, cidade para a qual me transferi em 1986, onde permaneci por mais dois anos, até partir para Belém para - a princípio - dar aulas de computação, atividade que comecei a aprender no banco com a substituição das jurássicas autenticadoras Burroughs pelas autenticadoras da Dismac, equipamentos mais modernos que já possuíam uma CPU Z80 bastante rústica e programação básica em Assembly.

Nessas minhas muitas idas e vindas para Parnaíba, algo sempre me chamava a atenção: a quase total ausência de mudanças estruturais e arquitetônicas nos edifícios e nas residências da cidade. Sempre que chegava a bordo do Expresso de Luxo, observava atentamente as casas e os poucos estabelecimentos comerciais existentes na atual Avenida Pinheiro Machado, nos anos 1980.

Impressionava-me o fato de que até mesmo as cores dos prédios, quando passavam por reformas, permaneciam as mesmas. Era uma estranheza curiosa, pois até a minha própria casa, embora fosse pintada todos os anos, mantinha rigorosamente as mesmas cores. Nos estabelecimentos comerciais cuja identidade visual estava associada à fachada, essa permanência era compreensível. Contudo, o mais curioso era perceber que muitos outros empreendimentos, sem qualquer vínculo entre a cor do prédio e a marca da loja, também preservavam suas tonalidades por décadas, contribuindo para uma paisagem urbana marcada pela continuidade e pela familiaridade.

Hoje, revisitando através de fotografias a Parnaíba de outrora e comparando-a com a cidade contemporânea, é nítido o quanto ela cresceu e, até certo ponto, se modernizou. Pode parecer algo natural para uma cidade com tantos atrativos, mas conheço lugares similares que praticamente pararam no tempo. Felizmente, esse não foi o nosso caso.

Muito disso se deve às sucessivas administrações que conduziram os destinos do município ao longo das últimas décadas, bem como ao desenvolvimento natural que acompanha a sociedade. Sem entrar no mérito dos acertos e erros de cada gestor, é justo reconhecer que todos, de alguma forma, deixaram sua parcela de contribuição para a Parnaíba que conhecemos hoje.

Muitos da minha geração já partiram. Outros ainda partirão - inclusive eu. Não teremos a oportunidade de contemplar a cidade daqui a mais trinta anos. Essa missão, e também esse privilégio, caberão aos mais jovens, que precisarão lutar, com responsabilidade e compromisso, para que a Parnaíba do futuro não seja apenas a cidade do “já teve”, mas uma cidade capaz de preservar sua história sem abrir mão de construir novos capítulos.

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