Rebaixamento do Parnahyba ameaça provocar colapso esportivo e financeiro no clube centenário

Parnahyba em ação
📷Parnahyba em ação © Walter Fontenele
🏠Parnaíba (PI)

Queda para a Série B do Campeonato Piauiense deve reduzir drasticamente receitas, visibilidade e capacidade de sobrevivência do Azulino.

O provável - quase certo - rebaixamento do Parnahyba Sport Club para a Série B do Campeonato Piauiense representa um dos momentos mais delicados da história recente do clube centenário. O impacto vai muito além do aspecto esportivo. Trata-se de um cenário com potencial devastador para as finanças, a estrutura e o futuro institucional do Azulino.

A permanência na elite estadual é hoje uma das poucas garantias mínimas de receita para clubes do interior do Piauí. A queda, portanto, não significa apenas jogar uma divisão abaixo, mas perder dinheiro, espaço, visibilidade e competitividade. Em um futebol cada vez mais dependente de recursos externos, o rebaixamento funciona como um efeito dominó difícil de conter.


Os números do Campeonato Piauiense de 2025 ajudam a dimensionar esse problema. O campeão Piauí Esporte Clube recebeu R$ 150 mil em premiação, além de um automóvel. O vice, Fluminense, ficou com R$ 50 mil e um carro. O terceiro colocado, Altos, também recebeu um automóvel. O Parnahyba, quarto colocado, embolsou R$ 20 mil. Valores modestos, é verdade, mas que fazem diferença em orçamentos apertados.

Além da premiação esportiva, os clubes receberam renda de bilheteria como mandantes. Nesse ponto, o Parnahyba novamente se destacou. Mesmo em uma campanha irregular, o Azulino foi, como de costume, o clube com maior arrecadação de público no estado, somando cerca de R$ 75 mil ao longo da temporada. Soma-se a isso o repasse do Governo do Estado, que destinou aproximadamente R$ 7 milhões para serem divididos entre os clubes, conforme critérios estabelecidos pela Secretaria de Esporte.

O problema é que quase tudo isso fica ameaçado com o rebaixamento. Na Série B do Campeonato Piauiense, as premiações são significativamente menores - quando existem - e a exposição dos jogos despenca. Menos jogos transmitidos, menor cobertura da imprensa e, consequentemente, menos interesse de patrocinadores. Empresas investem onde há visibilidade, e a Série B estadual simplesmente não oferece isso.

Outro ponto crítico é o reflexo nas competições nacionais. O Campeonato Piauiense é a principal porta de entrada para a Série D do Campeonato Brasileiro. Um rebaixamento reduz drasticamente as chances de classificação e, mesmo em um eventual retorno, o clube tende a ocupar posições piores no ranking da CBF, o que influencia diretamente no valor de cotas e repasses futuros. Na prática, cair no estadual é se afastar do calendário nacional.

A bilheteria também sofre. Jogos da Série B costumam atrair menos público, muitas vezes são disputados em horários pouco atrativos e com adversários de menor apelo. O resultado é óbvio: arquibancadas vazias, renda reduzida e um distanciamento progressivo da torcida, justamente o maior patrimônio do Parnahyba.

O comparativo de receitas recentes evidencia o abismo financeiro. Em 2025, o Altos alcançou uma arrecadação estimada em cerca de R$ 2,83 milhões, impulsionado por participações na Copa do Nordeste, Copa do Brasil e outras competições. O Parnahyba, mesmo com calendário nacional, ficou em torno de R$ 850 mil, somando Estadual e Copa do Brasil. Já Piauí EC e Fluminense dependeram quase exclusivamente das premiações do estadual, com valores muito inferiores.

Esse cenário deixa claro um ponto central: para clubes do Piauí, as cotas da Série D e as competições nacionais representam, muitas vezes, mais dinheiro do que o próprio Campeonato Estadual. Perder o acesso a esse circuito é comprometer seriamente a sustentabilidade financeira.

Se confirmado o rebaixamento, o Parnahyba enfrentará uma combinação perigosa de fatores: redução de receitas diretas, fuga de patrocinadores, queda de bilheteria, menor visibilidade e enfraquecimento institucional. Para um clube centenário, com forte identidade regional e histórica, trata-se de um golpe profundo.

Em termos práticos, a permanência na elite estadual e a manutenção de um calendário nacional não são luxo nem ambição exagerada. São, hoje, condições básicas de sobrevivência. O rebaixamento do Parnahyba não seria apenas uma derrota em campo. Seria um alerta grave sobre os limites financeiros do futebol piauiense e sobre o risco real de ver um de seus maiores símbolos afundar fora das quatro linhas.

A sobrevivência do "Tubarão" na elite passa por duas vitórias, contra Fluminense (fora de casa) e Teresina (em casa) e por combinações de outros resultados. A pressão é máxima, não apenas pelo peso esportivo, mas pelo que está em jogo fora das quatro linhas.

Por Walter Fontenele | Portalphb

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