Entre o improviso e o descaso: o retrato do amadorismo no futebol municipal de Parnaíba
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| 📷Rede do Pedro Alelaf © Walter Fontenele |
Redes improvisadas e maca ultrapassada expõem a precariedade estrutural do estádio municipal em jogos oficiais do Parnahyba, inclusive em competições nacionais.
As imagens registradas no Estádio Municipal de Parnaíba não deixam margem para interpretações afáveis. De um lado, redes de gol claramente improvisadas, presas de forma irregular e incompatíveis com o padrão mínimo exigido para competições oficiais. De outro, uma maca antiga, rudimentar, que mais parece peça de museu do que equipamento de atendimento a jogadores de futebol em evento profissional. O cenário escancara um problema estrutural grave e recorrente: o amadorismo que ainda domina o futebol piauiense.
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| Redes improvisadas |
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| Exigências do futebol profissional |
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| Maca rudimentar da época do saudoso Pedro Alelaf, que dar nome ao Estádio |
É importante deixar claro o que muitas vezes se tenta confundir. O estádio é municipal, pertence ao poder público. O Parnahyba Sport Club é uma entidade privada, que utiliza a praça esportiva por cessão. Isso não exime nenhuma das partes de responsabilidade. Pelo contrário: evidencia uma omissão compartilhada. Quando o município cede o estádio para jogos do piauiense e principalmente para a Série D ou da Copa do Brasil, assume implicitamente o dever de oferecer condições mínimas de infraestrutura. E quando o clube aceita disputar competições nessas condições, também se torna parte do problema.
Não se trata de luxo, estética ou capricho. Redes adequadas e equipamentos atualizados não são detalhes periféricos; são itens básicos de organização e respeito ao atleta, ao torcedor e às próprias competições. Em campeonatos organizados pela CBF, o padrão exigido é conhecido, documentado e amplamente divulgado. O que se vê em Parnaíba está muito aquém disso.
A precariedade exposta nessas imagens não é um caso isolado, tampouco novidade. Ela se soma a um histórico de improvisos, paliativos e soluções temporárias que se tornam permanentes.
O futebol de Parnaíba carrega tradição, torcida e identidade. Mas tradição não sobrevive apenas de memória e discurso. Ela exige estrutura, profissionalismo e compromisso. Enquanto redes improvisadas e macas ultrapassadas forem tratadas como algo normal, o clube seguirá pagando o preço dentro e fora de campo, e o município continuará sendo exposto nacionalmente de forma negativa.
O que essas imagens mostram, no fim das contas, não é apenas a fragilidade de equipamentos. Elas revelam uma mentalidade atrasada, que insiste em tratar o futebol profissional como se ainda fosse um torneio de Bairro. Em competições nacionais, isso não é apenas vergonhoso. É inadmissível.
Por Walter Fontenele | Portalphb





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