Dinheiro vivo para filme de Lula: o que revelam os áudios de Vorcaro
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| 📷Banco Master © Reprodução |
O caso do Banco Master ganhou novos e alarmantes contornos. Preso por uma das maiores fraudes financeiras do país, o banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) áudios, mensagens e documentos que apontam um esquema de propinas, liberação de verbas públicas e pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ligados ao Instituto Lula e à produção de um documentário sobre o presidente.
O dinheiro que veio de "fora"
Segundo relato de Vorcaro, intermediado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, foi acordado o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para cobrir despesas de um documentário sobre Lula gravado no exterior — o filme dirigido por Oliver Stone. Outros valores teriam sido pagos diretamente ao Instituto Lula, presidido por Paulo Okamotto, amigo de longa data do presidente.
Nas gravações, o próprio banqueiro faz uma distinção reveladora:
"O filme do Lula eu coloquei acho que até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal."
A fala contrasta com a postagem que vinha sendo adotada pelo Planalto, que usava o caso do filme sobre Jair Bolsonaro para atacar adversários.
A "mordida" de 10% e os fundos de pensão
O pagamento ao filme não foi um ato isolado. Fazia parte de um esquema maior: para liberar a entrada do Banco Master nos fundos de pensão federais — Previ, Petros, Postalis e os vinculados ao Banco do Brasil e à Caixa —, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre todo o valor captado.
Se a operação tivesse êxito, o PT embolsaria cerca de R$ 1 bilhão e o Banco Master faturaria R$ 9 bilhões.
A articulação contou ainda com o ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais), seu secretário-executivo Olavo Noleto e operadores ligados ao gabinete no Planalto. A inclusão do banco na "lista exaustiva" — relação de instituições autorizadas a operar com os fundos — aconteceu em 29 de abril de 2024.
Por que não avançou?
A operação veio a público em julho de 2024, quando a imprensa noticiou a demissão de gerentes da Caixa que se opuseram ao investimento. O grupo recuou e a negociação esfriou.
O anexo com as acusações e provas apresentado por Vorcaro à PGR foi arquivado sem investigação, sob a alegação de falta de evidências. O banqueiro afirma ter entregue mensagens de WhatsApp, registros de retirada de dinheiro, rotas de entrega e nomes de envolvidos — tudo ignorado, segundo ele.
Negam tudo
Lula, Padilha, Noleto e os demais citados negaram qualquer envolvimento. O presidente declarou que "jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos em seu nome".
Vorcaro já teve duas delações rejeitadas por omitir informações e prepara uma terceira. Enquanto isso, as perguntas permanecem: por que um pagamento de R$ 30 milhões seria feito em dinheiro vivo? Por que a PGR arquivou o caso? E quem realmente se beneficia quando o dinheiro público circula "por fora"?
Fonte: Revista VEJA, edição nº 3016, 9 de outubro de 2026.


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