O fundo do poço ainda não chegou: o vexame do Parnahyba continua fora de campo
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
A temporada do Parnahyba terminou oficialmente dentro das quatro linhas no dia 27 de Junho. A derrota por 2 a 0 para o Águia de Marabá encerrou a participação azulina na Série D do Campeonato Brasileiro e colocou um ponto final em um ano marcado pelo inédito rebaixamento para a Série B do Piauisão. A partir dali, o clube entrou em um longo período sem calendário oficial e, ao que tudo indica, só voltará a disputar uma partida oficial em Setembro de 2027, quando inicia o campeonato piauiense da série B.
O que ninguém imaginava era que o apito final marcaria apenas o começo da crise institucional mais constrangedora da temporada.
Se dentro de campo o Parnahyba colecionou resultados que transformaram o ano de 2026 em um dos piores de sua centenária história, fora dele o cenário é ainda pior. O problema deixou de ser esportivo. Tornou-se institucional. O que hoje vem à tona não revela apenas dificuldades financeiras, mas uma administração incapaz de cumprir contratos e preservar a imagem e a credibilidade da instituição.
Nos últimos dias, denúncias feitas por jogadores do elenco profissional escancararam uma realidade comum nas últimas décadas. Parte dos atletas afirma não ter recebido 30% dos salários do mês de Maio nem os vencimentos integrais do mês de Junho. Alguns continuam alojados no CT Petrônio Portela simplesmente porque não têm dinheiro para comprar a passagem de volta para retornar a suas cidades de origem, apesar da promessa de que as despesas seriam custeadas pelo clube.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Tiago Mendes, o Centro de Treinamento teve o fornecimento de energia interrompido. Testemunhas afirmam que o serviço não foi executado por equipes da concessionária responsável, mas por um eletricista contratado, sem os equipamentos normalmente exigidos para esse tipo de trabalho. Independentemente de quem tenha determinado o desligamento, o fato é que alguns jogadores permanecem em um CT sem energia elétrica, sem alimentação regular e submetidos a uma situação incompatível com o mínimo de dignidade que qualquer instituição esportiva deveria assegurar.
Na tentativa de minizar a situação de penúria dos atletas, torcedores resolveram agir e estão realizando doações de alimentos para atletas que, poucos dias antes, defendiam o clube em uma competição nacional.
Não é o atraso salarial, isoladamente, que causa maior indignação. Crises financeiras fazem parte da realidade de muitos clubes brasileiros. O que diferencia uma administração responsável é a maneira como enfrenta essas dificuldades. No caso do Parnahyba, a impressão é de completo abandono. Faltou planejamento, faltou diálogo e, sobretudo, faltou respeito com quem prestou serviços ao clube.
Mais grave ainda é o relato de que, ao cobrarem uma solução, alguns jogadores teriam ouvido que deveriam "colocar o clube na Justiça" caso quisessem receber.
Infelizmente, esse não é um episódio isolado. Nos últimos anos, tornou-se frequente o surgimento de processos movidos por ex-jogadores, integrantes de comissões técnicas e outros profissionais que passaram pelo clube. Mudam os dirigentes, mudam os discursos, mas a história continua se repetindo. Ao final de cada temporada, sempre há alguém tentando receber na Justiça aquilo que deveria ter sido pago espontaneamente.
Como se isso já não bastasse, a crise ganhou um novo capítulo quando o presidente do clube atribuiu os atrasos ao não recebimento de recursos prometidos pelo Governo do Estado. Horas depois, a Secretaria dos Esportes do Piauí divulgou nota afirmando que não possui débitos com os clubes piauienses e esclarecendo que os procedimentos administrativos seguem seu curso normal, respeitando as exigências legais impostas pelo período eleitoral.
Enquanto versões são apresentadas de um lado e de outro, a realidade permanece a mesma para quem continua dentro do CT: salários atrasados, incerteza, falta de estrutura e a esperança de conseguir voltar para casa.
O aspecto mais preocupante dessa crise talvez nem seja a falta de dinheiro. O que mais assusta é a banalização do inaceitável. Um clube que atravessou mais de um século de história, formou gerações de torcedores e ajudou a construir a identidade esportiva do litoral piauiense chega ao ponto de ver atletas dependendo da solidariedade de torcedores para se alimentar, enquanto o silêncio da diretoria ocupa o espaço que deveria ser preenchido por explicações e soluções.
O Parnahyba já superou derrotas, campanhas ruins e crises financeiras. Tudo isso faz parte da história do futebol. O que não pode se tornar rotina é a perda do compromisso com a palavra, com os contratos e com a própria instituição. Nenhum dirigente é maior que o Parnahyba. Nenhum mandato autoriza transformar um patrimônio centenário em sinônimo de improviso, abandono, "gambiarras" e sucessivos constrangimentos.
Por Walter Fontenele | Portalphb



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