A resistência de Vorcaro a delatar juízes do STF e o recado a Mendonça Por Mário Sabino
![]() |
| 📷Daniel Vorcaro © Ana Paula Paiva |
Há alguns dias, publiquei que advogados da ex-equipe de defesa de Daniel Vorcaro (dois deles) haviam procurado o ministro André Mendonça para propor que o seu então cliente deixasse Alexandre de Moraes de fora de uma eventual delação. Receberam uma negativa.
Agora, com novo advogado comandando o espetáculo, Vorcaro continua a resistir à ideia de incluir Moraes na delação que está em fase de negociação com a PF e a PGR. Quanto a Dias Toffoli, a disposição do dono do finado Banco Master não está clara, assim como permanece na penumbra se ele entregará Nunes Marques.
De acordo com o jornalista Aguirre Talento, “interlocutores de Vorcaro dizem que ele já sinalizou que quer falar sobre os pagamentos ao resort Tayayá, que tinha participação acionária do ministro do STF Dias Toffoli, mas o formato disso ainda não está fechado”.
Diz o jornalista que, se a sua delação for aceita, Vorcaro não quer também ser obrigado a pegar cana de verdade por algum tempo, mandatória dado o tamanho do crime, e rejeita a ideia de sair sem dinheiro nenhum da encrenca que criou, obrigado que será a ressarcir as vítimas das suas fraudes bilionárias.
A postura inicial do banqueiro chamou a atenção de quem se reuniu com ele ao longo desse período: Vorcaro demonstrou uma resistência em admitir a prática de crimes e assumir o papel de ‘delator’, o que seria essencial para o avanço da colaboração. Essa resistência, em um primeiro momento, é considerada natural pelos advogados e investigadores em um processo de delação, mas pode travar a construção do acordo”, publica Aguirre Talento.
Temos, assim, um criminoso que não quer delatar tudo, mas que exige benefícios a que não teria direito ainda que o fizesse.
Há outro aspecto espantoso na negociação em torno da delação. “Interlocutores” do dono do finado Master acham que a inclusão de Moraes, Toffoli e Nunes Marques pode causar “contra-ataques” da parte do tribunal.
“Mesmo que André Mendonça homologue um acordo que contenha nomes do STF, a percepção é que ele ficaria isolado e perderia votações para os demais ministros”, escreve o jornalista.
Há um recado desses interlocutores embutido na “percepção”, e esperemos que Mendonça não se intimide. Inexiste delação digna de tal nome que deixe de incluir os ministros do STF envolvidos com o maior fraudador do sistema financeiro da história do país, simples assim.
As dificuldades enfrentadas por Mendonça só serão insuperáveis se a imprensa deixar de fazer o seu trabalho de ajudar a PF, que quer revelar tudo, e constranger a PGR, que gostaria de não revelar nada. É o trabalho da imprensa que mantém vivos o clamor público e a esperança de que ele ultrapasse as fronteiras das redes sociais e ganhe as ruas, em manifestações legítimas que obriguem a casta brasiliense a tomar o caminho certo."
Por Mario Sabino


Deixe Seu Comentário