Piscinão: a enchente de sempre e o abandono que nunca muda

Mais um capítulo do piscinão
📷Mais um capitulo do Piscinão © Tiago Mendes
🏠Parnaíba (PI)

Com a chegada das chuvas, moradores voltam a enfrentar alagamentos, prejuízos e a repetição de um problema que atravessa gestões sem solução definitiva.

Hoje começa mais um capítulo da já conhecida saga vivida pela população da região popularmente chamada de “Piscinão”, em Parnaíba. A cada inverno, o roteiro se repete com precisão quase matemática: ruas alagadas, casas invadidas pela água, móveis perdidos, transtornos acumulados e a sensação de que nada foi aprendido desde o último episódio.

O filme é antigo, mas insiste em continuar em cartaz. As cenas dos “próximos capítulos” também não surpreendem: promessas, populismo, discursos técnicos, visitas apressadas na madrugada e notas oficiais que, ao final, não alteram a realidade de quem convive diariamente com o risco e o prejuízo material. Entra gestor, sai gestor - municipais e estaduais — e a única certeza permanece sendo o abandono.


O chamado Piscinão virou símbolo de uma falência crônica do planejamento urbano. Não se trata de um evento inesperado, tampouco de um fenômeno raro. As chuvas chegam todos os anos, dentro de uma previsibilidade conhecida, mas o poder público segue tratando o problema como se fosse uma fatalidade inevitável, quando na verdade é resultado direto de omissões sucessivas.

Enquanto isso, moradores seguem pagando a conta mais alta: perdas materiais, danos à saúde, insegurança e a constante sensação de invisibilidade. O descaso, nesse caso, não é apenas administrativo - é humano. E, mais uma vez, a água sobe antes que qualquer solução concreta saia do papel.

Por Walter Fontenele | Portalphb

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