A morte de Simplício Dias da Silva
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| 📷Imagem ilustrativa © Reprodução |
Walter Fontenele - Analista de Sistemas e Graduado em Antropologia pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI.
Com informações do livro "Simplício Dias da Silva - Seu Nascimento Até Sua Morte" do professor José Nelson de Carvalho Pires.
A quinta-feira, 17 de setembro de 1829, foi um dia triste para os moradores da Vila de São João da Parnaíba e para o Piauí. Morria, aos 56 anos, Simplício Dias da Silva.
A vida de Simplício Dias - em quase sua totalidade - foi de opulência. Nasceu em berço de ouro, morou em São Luís e, depois, na Europa, onde conviveu com reis e rainhas e conheceu sua futura esposa, Maria Isabel Thomázia de Seixas, que, anos mais tarde, ele sequestraria, trazendo-a para São Luís e, posteriormente, para a Vila de São João da Parnaíba, onde os dois se casaram.
Depois da morte do pai, Simplício e seu meio-irmão, Raimundo, ficaram responsáveis por administrar as empresas e a fortuna herdada. Coube a Raimundo uma participação maior na gestão dos negócios, enquanto Simplício se envolvia cada vez mais com a política e a causa republicana.
Amante das artes, Simplício manteve uma banda musical formada por escravizados, alguns dos quais foram enviados para estudar música no Rio de Janeiro e em Portugal, com todas as despesas custeadas pela família Dias da Silva.
Mas o que definitivamente abalou a fortuna de Simplício foi sua participação na luta contra Portugal e contra as forças do major João José da Cunha Fidié. Depois da proclamação da Independência na Vila de São João da Parnaíba, em 19 de outubro de 1822, nas proximidades da atual Praça da Graça, Fidié invadiu a Vila, submeteu a população à violência e saqueou bens, atingindo também, de maneira considerável, o patrimônio dos Dias da Silva.
Quando Fidié chegou à Vila de São João, Simplício e outros patriotas já haviam se refugiado em Granja, no Ceará. Simplício percebeu que não teria condições de enfrentar as tropas portuguesas comandadas por Fidié, reforçadas ainda por contingentes que chegaram à Vila a bordo do navio Infante Dom Miguel, enviados de São Luís.
Em 28 de fevereiro de 1823, 72 dias depois de invadir a Vila, Fidié foi obrigado a seguir viagem em direção a Oeiras, onde havia notícias de uma insurreição.
Foi a deixa para que Simplício e os outros patriotas retornassem à sua terra.
Na Vila, encontraram apenas desolação e destruição.
Mas a luta pela Independência prosseguiu.
Diante de tantas lutas, perdas e atribulações, a saúde de Simplício foi se deteriorando.
A medicina, naquele início do século XIX, ainda era rudimentar e toda à Vila já temia pelo pior.
Recorreram à fé!
Celebrações de missas!
Promessas a todos os santos conhecidos!
Orações!
Mandingas!
Enfim...
Tudo foi feito em prol do restabelecimento da saúde do coronel da Vila de São João da Parnaíba.
Não deu!
O longo repicar dos sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça anunciou a morte de Simplício.
A notícia se espalhou mais rápido que rastilho de pólvora.
Em pouco tempo, uma multidão se aglomerou diante da Casa Grande.
Eram pessoas de todos os níveis: empresários, religiosos, fofoqueiras, agregados e escravizados, que viajaram muitas léguas ao saber da iminência da morte do coronel. Veio gente até de suas fazendas na longínqua região de Campo Maior.
Pense num sofrimento!
Ouviram-se choros, lamentações e ranger de dentes.
A Vila de São João da Parnaíba estava de luto!
Simplício foi vestido com sua farda de gala e seu corpo foi transladado para a Igreja, onde foi velado e, posteriormente, foi celebrada a missa de corpo presente.
O espaço era pequeno para a quantidade de pessoas que se acotovelavam para dar o último adeus ao benemérito do Piauí.
Mais choros!
Mais lamentações!
- Por que, meu Deus, era um homem tão bom! - gritou uma beata.
- Agora esse traste vai ser julgado pelos seus crimes! - falou baixinho uma de suas escravizadas.
- Deixou a vida para entrar para a história! - profetizou um correligionário que, ao perceber que estava sendo filmado, simulou enxugar as lágrimas.
Cento e vinte e cinco anos depois, Getúlio Vargas, de certa forma, acabaria por plagiar a celebre frase!
Nada mais do que se fizesse ou se dissesse faria diferença.
Simplício Dias da Silva estava morto. Só faltava ser enterrado.
Foi sepultado na própria Igreja, construída por sua família.
De lá para cá, a profecia se concretizou.
Simplício entrou para o imaginário popular, gerando debates - a favor e contra - na sociedade e tornando-se personagem de histórias, lendas e controvérsias que atravessaram gerações.


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