
“É melhor rejeitar dez verdades como sendo mentiras, do que aceitar uma única mentira como sendo verdade.”
Com essa frase simples, o codificador do espiritismo, nos mostra o quanto é delicada as questões relacionadas a mensagens mediúnicas. Kardec era um perscrutador por natureza e adotou essa qualidade em todo o decorrer de sua vida.
Quando do lançamento de O Livro dos Espíritos em meados de 1857, Kardec, sabendo da diversidade de qualidades morais, intelectuais e espirituais dos espíritos, assim como dos homens, fez questão que todas as questões constantes no Livro, fossem questionadas e respondidas nos quatros cantos da Europa, por médiuns diferentes, para garantir a veracidade das informações que hoje norteia essa Doutrina Maravilhosa e consoladora.
Infelizmente, por questões que não iremos nos ater, a FEB, bem como muitas casas que se dizem Espíritas, adotam obras de autores encarnados e desencarnados que não passaram pelo Conselho da Universalização dos Espíritos. Essas obras, muitas das vezes são recebidas por médiuns totalmente despreparados, e por espíritos que não sabemos a procedência. Muitas dessas casas adotam tais obras numa prova cabal da mistificação que seus dirigentes estão sofrendo, em muitos casos, praticamente excluindo Kardec de seus estudos.
Na leva dessas obras que costumo chamar de anti-doutrinárias, estão os “quatro evangelhos de J.B.Rounstaing”. Para falar sobre essa obra, primeiramente devemos saber quem era J.B.Rounstaing.
Jean-Baptiste Roustaing, Era filho de François Roustaing, negociante, e de sua esposa, Margueritte Robert. Teve mais três irmãos: Joseph, Alfred e Jeanne.
Concluiu os estudos iniciais no Liceu da Cidade em Bordeaux, tendo seguido para Toulouse para cursar Direito. Esgotados os recursos da família, lecionou literatura, ciências, filosofia e matemáticas especiais, a princípio em Toulon, onde residiu de 1823 a 1826. Conseguiu, desse modo, o diploma em Direito. Estagiou em Paris, de 1826 a 1829, vindo a ingressar na advocacia, acredita-se em 1830.
Fixou-se anos mais tarde em Bordeaux, sua terra natal, vindo a inscrever-se na Ordem dos Advogados de Bordeaux em 1847, sendo eleito bastonário daquela instituição para o ano judiciário de 1848-1849 e secretário do conselho para o ano de 1852-1853. Em 1855 deixou as funções administrativas da Ordem. (Fonte Wikipedia).
J.B.Rounstaing foi contemporâneo de Kardec. Conheceu o espiritismo através de suas obras, com quem manteve contato via cartas por um longo período. Em determinada época de sua existência, Rounstaing passou por graves problemas psicológicos precisando ser internado para tratamentos psiquiátricos. Esse tratamento durou longos três anos. Quando deixou a instituição de saúde, disse ter sido escolhido para uma missão ( nada fácil diga-se de passagem), que seria escrever uma obra que fosse, como ele mesmo chamou, de a “revelação da revelação”, uma espécie de complementação das obras de Kardec. Vale lembrar, que nessa época, Kardec ainda estava engatinhando o seu Pentateuco, o que nos leva a imaginar, que seria no mínimo incompreensível, a espiritualidade designar duas pessoas na mesma época para realizar a mesma missão.
J.B.Rounstaing decidiu colocar em ação seus planos. Para essa missão, escolheu uma única médium para escrever quatro volumes que seriam ditados pelos quatros evangelista. Aqui vale logo uma observação. É sabido que as comunicações entre os dois mundos necessita de muitos fatores para existir(ver Livro dos Médiuns). Se levarmos em consideração, que os evangelistas são espíritos de uma alta hierarquia moral, intelectual e espiritual, fica difícil para os estudiosos e conhecedores dos fenômenos mediúnicos, acreditar que a médium escolhida tivesse condições moral, intelectual, espiritual e principalmente fruídica para executar tal missão. Tanto é verdade que os “quatro evangelhos de Rounstaing”, é uma fonte inesgotável de conceitos anti-doutrinários se comparados com os ensinamentos do mestre lionês. Para deixar mais claro e mais fácil o entendimento principalmente para os leigos do assunto, iremos detalhar alguns pontos, no mínimo sombrios dos conceitos da obra de Rounstaing, em relação aos conceitos apresentados por Kardec, que hoje, passados mais de 150 anos, nem mesmo a evolução cientifica conseguiu desmenti-los.
1º Controle da Universalização dos Espíritos
Nesse item, podemos ver de imediato uma grande diferença no método utilizado por Kardec e por Rounstaing. Kardec como falamos anteriormente, utilizou vários médiuns em vários locais da Europa para responder as mesmas questões. As questões discordantes eram de imediato ignoradas e retiradas da obra, ou redigida em outro local por outros médiuns para tirar assim a contra-prova. No caso de Rounstaing, uma única médium foi responsável pela missão de receber mensagens mediúnicas dos quatro evangelistas.
Nunca devemos nos esquecer, que as pessoas não ficam boas ou sabias depois que desencarnam. Nas relações entre os dois mundos, existe muito de mistificação e de fascinação, fenômenos que ocorrem com freqüência com médiuns sem o devido preparo para esse tipo de trabalho. Acreditamos que no caso de Émile Collignon foi isso o que aconteceu.
2º A Reencarnação
Nos ensinamentos de Kardec, nós aprendemos que a reencarnação antes de tudo é uma prova da justiça e da bondade de Deus. A reencarnação é para nós espíritos, o que os degraus da educação são para um aluno, ou seja, é uma dádiva, uma benção e acima de tudo uma oportunidade de crescimento moral, intelectual e espiritual.
Para Rounstaing, a reencarnação é um castigo. “Não; a encarnação humana não é uma necessidade, é um castigo, já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa”.
O Espírito não é humanizado, também já o explicamos, antes que a primeira falta o tenha sujeitado à encarnação humana. Só “então ele é preparado, como igualmente já o mostramos, para lhe sofrer as conseqüências.” (1º vol., pág. 317)
Como podemos ver, existe um abismo imenso entre as duas teorias. Se formos acreditar no disse Rounstaing, devemos acreditar que muitos espíritos que passaram e ainda passarão pela terra, espíritos de escol como, por exemplo: Jesus, Francisco de Assis, Irmã Dulce, Madre Teresa e tantos outros, são espíritos que por algum motivo precisaram passar pelo castigo da encarnação,ou seja, em algum momento falharam feio a ponto de receber esse castigo.
3º Evolução dos Espíritos
Kardec nos ensina, que nós espíritos estamos em constante evolução. Essa evolução se dar quando o espírito estar encarnado na terra ou em outros orbes, bem como no mundo espiritual. Disse também que a encarnação é necessária, pois na carne o espírito tem oportunidade de evoluir mais rapidamente do que na erraticidade. Frisou com todas as letras que um espírito nunca retrograda, ou seja, um espírito pode passar uma existência toda sem conseguir evoluir, mais nunca retrocede em sua evolução já conquistadas a duras penas. Vejam o que disse os espíritos venerandos da codificação a Kardec:
Podem os Espíritos degenerar? “Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.”
Rounstaing admite possa um Espírito que já desempenhou funções elevadas no Mundo Espiritual ser tomado pela inveja, pelo orgulho etc., o que evidencia uma nova versão para a “queda dos anjos”, conforme a teologia Católica Romana e, também, a Protestante.
Trocando em miúdos. As afirmações de Rounstaing, seria a mesma coisa de uma pessoa que atingiu o mais alto grau acadêmico, em determinada época de sua vida precisar voltar ao ensino fundamental. Portanto, duas posições bem distintas e bem contraditórias.
Ainda dentro dessa mesma questão, vejam o que diz os espíritos venerandos da codificação a Kardec sobre a evolução dos espíritos:
Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem? “Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.”