Senhor
Sérgio Gwercman
Diretor de
redação da revista Super
Interessante
Sou assinante
dessa revista há muitos
anos. Sempre a encarei
como publicação séria,
fonte de informações a
oferecer subsídios para
meu trabalho como
escritor espírita, autor
de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por
terra ao ler, na edição
de abril, infeliz
reportagem sobre
Francisco Cândido
Xavier, pretensiosa e
tendenciosa,
objetivando, nas
entrelinhas, denegrir e
desvalorizar o trabalho
do grande médium.
Isso pode ser constatado
já na seção “Escuta”,
com sua assinatura, em
que V.S. pretende
distinguir respeito de
reverência, como se
reverência não fosse o
respeito profundo por
alguém, em face de seus
méritos.
Podemos e devemos
reverenciar Chico
Xavier, não por adesão
de uma fé cega, mas pela
constatação racional,
lúcida, lógica, de que
estamos diante de uma
personalidade ímpar, que
fez mais pelo bem da
Humanidade do que mil
edições de
Superinteressante, uma
revista situada como
defensora do bom
jornalismo, mas que fez
aqui o que de pior
existe na mídia – a
apreciação superficial e
tendenciosa a respeito
de alguém ou de uma
notícia, com todo
respeito, como pretende
seu editorial, como se
fosse possível conciliar
o certo com o errado, o
boato com a realidade, o
achincalhe com o
respeito.
Para reflexão da
repórter Gisela Blanco e
redatores dessa revista
que em momento algum
aprofundaram o assunto e
nem mesmo se deram ao
trabalho de ler os
principais livros
psicografados pelo
médium, sempre com
abordagem superficial,
pretendendo “explicar” o
fenômeno Chico Xavier,
aqui vão alguns aspectos
para sua reflexão e –
quem sabe? – um cuidado
maior em futuras
reportagens.
De onde a repórter tirou
essa bobagem de que
“toda essa história
começou com as cartas
dos mortos?”
Se as eliminarmos em
nada se perderá a
grandeza de Chico
Xavier. A história
começa bem antes disso,
com a publicação, em
1932, do livro Parnaso
de Além-Túmulo, quando o
médium tinha apenas 22
anos.
A reportagem diz: “Ele
dizia que não escolhia
os espíritos a quem
atenderia, só via
fantasmas e ouvia vozes.
Mas parecia ser o
escolhido por
celebridades do céu.
Cruz e Souza, Olavo
Bilac, Augusto dos Anjos
e Castro Alves lhe
ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa,
sugerindo o pastiche, a
técnica de copiar estilo
literário. O repórter
não se deu ao trabalho
de observar que no
próprio Parnaso há, nas
edições atuais, 58
poetas desencarnados,
menos conhecidos e até
desconhecidos, como José
Duro, Alfredo Nora, Alma
Eros, Amadeu, B.Lopes,
Batista Cepelos, Luiz
Pistarini, Valado Rosa…
Poetas do Brasil e de
Portugal que se
identificam pelo seu
estilo, em poesias
personalíssimas
enriquecidas por valores
de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu
omitir a repórter que
Chico psicografou
poesias de centenas de
poetas desencarnados, ao
longo de seus 75 anos de
apostolado, na maior
parte poetas
provincianos, conhecidos
apenas nas cidades onde
residiam no interior do
Brasil. Pesquisadores
constatam que esses
poemas não são
“razoavelmente fiéis ao
estilo dos autores”. São
totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção
de que a técnica do
pastiche, a imitação de
estilo literário, é
extremamente difícil,
quase impossível.
Pastichadores conseguem
imitar uma página, uma
poesia de alguém, jamais
toda uma obra ou as
obras de centenas de
autores.
Afirma que Chico foi
autodidata e leitor
voraz durante toda a
vida, sempre insinuando
o pastiche. Leitor
voraz? Passava os dias
lendo? Só quem não
conhece sua biografia
pode falar uma bobagem
dessa natureza, já que
Chico passava a maior
parte de seu tempo
atendendo pessoas,
psicografando,
participando de reuniões
e atendendo à atividade
profissional. Não
conheço um único
documentário, uma única
foto mostrando Chico
lendo “vorazmente”. Ah!
Sim! Para a repórter
Chico certamente
escondia isso.
Fala também que Chico
teria 500 livros em sua
biblioteca e que “a
lista inclui volumes de
autores cujo espírito o
teria procurado para
escrever suas obras
póstumas, como Castro
Alves e Humberto de
Campos”.
E as centenas de poetas
e escritores que se
manifestaram por seu
intermédio. Chico tinha
livros deles? E de
poetas que sequer
publicaram livros?
Quanto a Humberto de
Campos, cuja família
tentou receber na
justiça os direitos
autorais pelas obras
psicografadas por Chico,
o que seria ótimo
acontecer, o
reconhecimento oficial
da manifestação dos
Espíritos, esqueceu-se a
repórter de informar que
Agripino Grieco, o mais
famoso crítico literário
de seu tempo, recebeu
uma mensagem do
escritor, de quem era
amigo. Reconheceu que o
estilo era
autenticamente de
Humberto de Campos, mas
que o fato para ele não
tinha explicação, já
que, como católico
praticante, não admitia
a possibilidade de
manifestação dos
espíritos.
Esqueceu ou ignora que
Chico, médium psicógrafo
mecânico, recebia duas
mensagens
simultaneamente, com
ambas as mãos sendo
usadas por dois
espíritos. Desafio
Superinteressante a
encontrar um
prestidigitador capaz de
fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância
jornalística está na
referência sobre
materialização de
Espíritos: “seria
necessário produzir um
total de energia duas
vezes maior do que é
hoje produzido pela
hidroelétrica de Itaipu
por ano, segundo os
cálculos feitos por
especialistas exibidos
por reportagens sobre
Chico nos anos 70.”
Seria superinteressante
a repórter ler sobre as
pesquisas de Alfred
Russel Wallace, Oliver
Joseph Lodge, Lord
Rayleigh, William James,
William Crookes, Ernesto
Bozzano, Cesare Lombroso,
Alexej Akzacof e muitos
outros cientistas
respeitáveis que
estudaram o fenômeno da
materialização e o
admitiram. Leia, também,
sobre quem eram esses
cientistas, para
constatar que não agiam
levianamente como está
na revista.
A repórter reporta-se às
reuniões mediúnicas das
quais Chico participava
como shows que o
tornaram famoso e
destila seu veneno. Cita
o sobrinho de Chico que,
dizendo-se médium,
confessou que era tudo
de sua cabeça, o mesmo
acontecendo com o tio.
Por que passar essa
informação falsa, se o
próprio sobrinho de
Chico, notoriamente
perturbado e alcoólatra,
pediu desculpas pela sua
mentira? Joga penas ao
vento e espera que o
leitor as recolha?
Omitiu também a
informação de que ele
confessou que pessoas
interessadas em denegrir
o médium pagaram-lhe
pela acusação.
Eram freqüentes nas
reuniões a ocorrência de
fenômenos como a
aspersão de perfumes no
ambiente, algo que,
deveria saber a
repórter, costuma
ocorrer com os médiuns
de efeitos físicos. No
entanto, recusando-se a
colher informações mais
detalhadas sobre o
assunto, limitou-se a
dizer que em 1971 um
repórter da revista
Realidade, José Hamilton
Ribeiro, denunciou que
viu um dos assessores de
Chico Xavier levantar o
paletó discretamente e
borrifar perfume no ar.
Sugere que havia
mistificação, aliás, uma
tônica na reportagem.
Por que não foram
consultadas outras
pessoas, inclusive
centenas que tiveram
seus lenços
inexplicavelmente
encharcados de perfume
ou a água que levavam
para magnetizar, a
exalar também um olor
suave e desconhecido que
perdurava por muitos
dias?Na questão das
cartas, milhares e
milhares de cartas de
Espíritos que se
comunicavam com os
familiares, sugere a
repórter que assessores
de Chico conversavam com
as pessoas, anotando
informações para
dar-lhes autenticidade.
Lamentável mentira. E
ainda que isso
acontecesse, Chico
precisaria ser um
prodígio para ler
rapidamente as
informações e inseri-las
no contexto de cada
mensagem, de cada
espírito, mistificando
sempre.
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E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, “inconsciente velhaco”, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia? Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto! Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.
Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.
CRIVO NOSSO: Infelizmente o ser humano ainda tem o costume de falar sobre assuntos que não possuem o menor conhecimento.
Será que a referida reporte sabe o que significa a palavra perispirito? Com certeza em profundidade não. Como ela poderia então falar sobre materialização de espíritos, se não tem profundos conhecimentos sobre um de nossos corpos, responsável direto por todas as manifestações mediúnicas? É por essa falta de conhecimento, ignorância mesmo, que o espiritismo é tão criticado, mesmo sendo uma doutrina que prega o amor, a caridade e o evangelho de Jesus.
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