Saudades eternas do meu amigo Augusto e de seu famoso Bar Recanto da Saudade

Existem algumas explicações para o nome do antigo bairro da Quarenta. A mais divulgada parece ser mesmo a de uma prostituta extremamente bonita que cobrava um cachê de 40 reis, valor exorbitante e exagerado para a maioria dos freqüentadores.

Era nesse bairro, que em 1967 passou a chamar-se bairro Mendonça Clark, que os políticos, poetas e os boêmios da cidade se encontravam para tomar uns goles de cerveja ao som de muita MPB. A grande curiosidade do saudoso Bar Recanto da Saudade, mais conhecido como Munguba, era a grande quantidade dos antigos Long Play que o amigo Augusto possuía.

Apesar do aspecto simplista, o Bar Recanto da Saudade tinha suas regras que dificilmente eram quebradas. As mais famosas delas era a proibição dos freqüentadores entrarem sem camisas. Outra que o amigo Augusto não admitia era as cenas de pegação entre os casais. Os mais brincalhões diziam ainda que era expressamente proibido falar mal do Vasco da Gama.

O ambiente bem rústico e bucólico se completava com alguns quadros com belíssimos poemas de alguns poetas, políticos e intelectuais da cidade.

 

O saudoso Augusto sempre nos recebia com muita distinção e estava sempre a disposição para dar uma de DJ, e sempre atender aos pedidos dos freqüentadores. Era difícil o cliente solicitar uma música que ele não tivesse. Ainda me lembro com saudade de minhas idas no famoso Bar da Munguba. O Augusto sempre nos recebia com distinção e corria para procurar nossa música preferida, não deixando porem de nos alfinetar por causa da camisa Rubro Negra do Flamengo, que vestíamos com a intenção mesmo de provocá-lo.

A música nem sempre era de boa qualidade. Alguns LP´S tinham aquele tradicional ruído, típico de disco bem surrados e bem rodados, apesar de todo cuidado que o Augusto nutria pelos mesmos. Não posso esquecer também do famoso espetinho regado a muita farinha de puba que ele fazia questão de dizer que não era de gato.

O Bar Recanto da Saudade, infelizmente acabou depois da partida do nosso amigo Augusto. Em alguns domingos ainda bate a saudade da boa música, dos deliciosos espetinhos, da simpatia e das regalias que meu amigo Augusto tinha conosco.

Saudades eternas grande amigo Augusto.

Walter F. Fontenele  - 12/03 ás 21:52